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Por Thayssl Parte da continuidade de Bloodstream.

Adalind já havia visto e passado por muitas coisas estranhas para olhos mundanos. Ela já tinha nadado com as sereias e permitido que elas trançassem seus cabelos, caçou junto de um lobisomem, foi a balada com uma vampira e experimentado pó de fada (Fato de que se arrepende até hoje). Mas nada do que ela viveu foi tão estranho quanto acordar em seu quarto e notar que havia deitado sua cabeça no ombro esquerdo de Max enquanto dormia. O susto a faz afastar-se dele rapidamente, mas sem antes notar que ele cheirava a sândalo e que seus cabelos possuíam ondulações azuladas e macias. A garota se permitiu tocar em seus fios lisos e apreciar sua textura. Max era belo de maneira natural com sua pele de um azul forte que o fazia brilhar contra o sol. Ele respirava tranquilamente e parecia dormir em paz.

— Adalind? Porque está mexendo no meu cabelo? – Pergunta Max ainda de olhos fechados. Adalind fica tão surpresa que acaba caindo sentada em sua frente. Max sorri de lado, o típico sorriso de Alec Lightwood, e abre os olhos revelando orbitas de um preto profundo.

— Eu estava... Tentando te acordar! Acabamos dormindo no chão. — Max arqueia a sobrancelha como se finalmente se desse conta de que havia dormido no quarto de Adalind e se levanta devagar.

— Como a mundana está? — Ele olha para cama e Adalind bate com a palma da mão na própria testa.

— Eu havia esquecido completamente dela. Como vamos conseguir tirá-la daqui sem que ninguém saiba? — O feiticeiro se abaixa um pouco e verifica a garota. Na luz do dia ela parecia bem mais saudável do que na noite anterior. — Os pais dela devem estar preocupados.

— Bom, o veneno de demônio se foi e a ferida provavelmente deixará uma marca muito pequena. Talvez eu consiga utilizar seus pertences para fazer um feitiço de rastreamento para descobrirmos onde é a casa dela, então usaria glamour em seu corpo para que ninguém questione o porquê de estarmos carregando uma garota inconciente... – Max não consegue terminar sua linha de pensamento. A jovem mundana acorda de sobressalto e encara Max assustada. Ela o encara fixamente e Adalind rapidamente entende do que se trata. Max não estava glamurado e sua marca do demônio estava completamente visível.

— Mundana. Não. Grite. — Disse Adalind pausadamente. Aquilo só pareceu assustar mais a menina. Quando ela abre a boca e Adalind já clama por todos os anjos para que ela não acorde seus pais, Max age. Ele usa sua magia e prende os lábios da garota obrigando-a a ficar em silêncio.

— Garota, eu realmente não sei se você é capaz de lembrar-se do que lhe ocorreu noite passada, mas eu e Adalind salvamos sua vida. Então para que as coisas não fiquem ruins para todos nós eu te peço que fique calada e ouça tudo que temos para dizer. Se entendeu faça que sim com a cabeça. — Max estava parado e muito próximo da menina. Ela faz que sim rapidamente e Adalind sorri. “Aparentemente Max consegue intimidar todo mundo” pensou ela. — Pronto, está livre agora. Se você falar qualquer coisa sem nossa permissão eu fecho sua boca de novo.

— Tudo bem, chega de ameaças. Max pode me deixar a sós com ela por alguns minutos? — Adalind pergunta. Max resolve não argumentar com ela e vai até o banheiro fechando a porta em seguida. — Não sei como começar esta conversa então, oi. Meu nome é Adalind Herondale e aquele garoto gritantemente azul que acabou de entrar no banheiro é o Max. Qual o seu nome?

— Heather. — É tudo que a jovem diz. Adalind continua a encarando, tentando encorajá-la a dizer seu sobrenome. – Heather Bass.

— É um nome bem bonito. — Comenta Adalind. — Olha, Heather, eu sinceramente não deveria te contar a verdade, porque isso é contra a política do meu trabalho. Mas não posso bagunçar sua memória e deixar você ir embora daqui achando que está louca ou, pior do que isso, falando sobre tudo que viu por ai. Então eu gostaria que você me dissesse tudo que se lembra da noite passada. — Heather hesitou por alguns minutos, avaliando se deveria confiar naquela garota estranha e tatuada. Por fim decidiu que falaria já que aparentemente Adalind tinha realmente salvado sua vida.

— Lembro-me de pouca coisa. Alguns fleches de memória como, por exemplo, um tipo de... Criatura me puxando para escuridão tentando me machucar e logo em seguida uma garota ruiva caindo em minha frente. — Ela sacode a cabeça e faz um pequeno esforço para sentar. — Eu só posso está ficando realmente louca.

— Bem, primeiramente você não está louca. O que você viu, aquela coisa repulsiva, era um demônio Ravener e eles comumente caçam em áreas afastadas do Brooklyn. Confesso que o erro foi meu de não ter verificado os becos. — Heather faz uma leve careta e se afasta de Adalind.

— Meu Deus eu estou cercada de malucos. — Ela comenta enquanto tenta se afastar ainda mais de Adalind. A garota respira fundo, tentando reunir paciência para lidar com a mundana e cata sua estela.

— Eu sou uma Caçadora de Sombras. Nós protegemos o mundo humano dos demônios. Somos seres metade humanos metade anjos. Também mantemos a paz com os seres do submundo e garantimos que tudo funcione corretamente. — Adalind tenta explicar devagar. Ela segura sua estela e aponta o cristal para sua runa angelical o que chama atenção de Heather. A menina observa aquele movimento em uma linha tênue entre choque e medo. – Isto se chama runa. Serve para me dar poder. Quando eu matei aquele demônio ele já havia conseguido causar uma ferida em seu braço. Não tive coragem de deixá-la morrer naquele beco por causa do veneno do demônio então te trouxe para minha casa sem permissão da minha família ou da Clave. Runas não podem ser feitas em mundanos, então o meu amigo Max, que é um feiticeiro, curou você.

— Espere um pouco, feiticeiro? Tipo uma bruxa? — Adalind sorri de lado, imaginando Max vestido de bruxo.

— Não usamos esse nome, mas no mundo mundano é algo como isso. Existem diversos seres do submundo. Feiticeiros, Fadas, Sereias, Vampiros, Lobisomens...

— Isto é loucura. Você espera que eu acredite que existem vampiros e fadas? Voltamos para a infância? — Adalind revira os olhos e se levanta.

— Bem você já conheceu Max. Ele é completamente azul e foi capaz de tapar sua boca com um único gesto. Não sei como vocês mundanos chamam isso, mas eu conheço por magia. Você acreditar em algo ou não, não muda o fato de que ela existe. — Max sai do banheiro e Adalind nota que ele voltou a se glamurar. Heather coça os olhos aparentemente se esforçando para tentar enxerga-lo.

— Você usando o glamour só vai confundir mais a cabeça dela. Estou tentando provar que o mundo das sombras existe. — Ele dar de ombros e se aproxima de Heather.

— Para mim ela acreditar ou não no mundo das sombras realmente não faz diferença. Tudo que quero no momento é deixá-la em casa o mais rápido possível, pois o tempo está passando e daqui a pouco todos estarão acordados. — Adalind olha para o seu relógio de cabeceira e arregala os olhos. Está muito tarde.

— Não queria dizer isto, mas Max tem razão. Veja bem, você não pode falar com ninguém sobre o que viu ontem e hoje. Você vai nos dizer onde mora, iremos deixar você em casa e todos nós continuaremos tocando nossas vidas.

— Por mim está tudo ótimo. Eu moro no Brooklyn. Digo a rua quando estivermos perto. — Adalind assente e veste sua roupa de combate, se preparando para acabar com todo aquele problema de uma vez por todas.

[...]

A casa de Heather era bonita e simples. Era uma típica casa do Brooklyn e as ruas ainda não possuíam grande movimento devido ao horário, porém Adalind achou mais seguro ativar sua runa de invisibilidade assim ficaria oculta aos olhos de outros mundanos.

— Lembra-se do que eu falei, não é? Nada de comentar sobre o que viu com outras pessoas. Isso irá evitar transtornos para todos nós. — Adalind vê Max chamá-la do outro lado da rua para atravessar o portal. Ela se vira e faz menção de correr para ele até que sente Heather segurar seu braço.

— Eu realmente ainda não entendo bem o que vocês são ou o que fazem e nem ao menos sei se acredito em tudo isso, mas sinto que devo agradecer a você e ele por estar viva. Muito obrigado. — Adalind sorri abertamente e pisca para Heather correndo em seguida. Ela segura na mão de Max e atravessa o portal sentindo o leve mal estar de sempre.

O portal de Max os levou até uma área afastada do Central Park. O garoto achou mais seguro ir andando até o Instituto já que criar um portal até lá provavelmente chamaria a atenção de seu pai, que é um Alto Feiticeiro. Ele olhou para o lado e notou que Adalind estava ao seu lado andando tranquila. Ela aparentemente tinha removido o glamour e vários homens e mulheres não resistiam e a observavam firmemente por minutos seguidos. Adalind era de fato uma garota muito bonita — do tipo que faria caras normais brigarem e se matarem para ter — e aparentava não ter noção disto. Diferente de seu irmão e do seu pai ela não se gabava pela aparência e também não usava isto como vantagem. Max nota o quanto Adalind parecia alheia ao fato de que seus cabelos ruivos mesclado com o dourado brilhavam ao sol, que suas sardas se destacavam em sua pele pálida, assim como suas runas que ocupavam quase todo o espaço visível de seu corpo, que seus olhos dourados atentos eram raros e chamativos e que sua maneira graciosa de andar era quase como uma dança. Ela não tinha consciência de quão arrasadora ela parecia na visão dos mundanos e, mesmo que contra a vontade, aos olhos de Max também.

— Você está muito quieto. — Comenta Adalind fazendo Max sair de seu rápido devaneio. O garoto torna a ficar sério rapidamente e encara as árvores e os idosos que caminham devagar em direção a eles.

— Não tenho nada para falar. — Responde Max. Alguns adolescentes olham de relance para eles e Max não pode deixar de pensar sobre o que se passa na cabeça deles ao vê-los. “O que será que este garoto estranho está fazendo andando com alguém como ela?”.

— Você é sempre tão recluso. Se isto tem haver com o fato de que você é um feiticeiro — Ou se é sobre o que me falou ontem de seus pais — isto realmente não deveria estar interferindo na sua vida.

— Eu realmente não deveria ter te contando isto. — Adalind o encara com aqueles grandes e questionadores olhos dourados. Max sente a necessidade de desviar o olhar. Ele não conseguiria terminar de falar o que queria se estivesse olhando nos olhos dela.

— Por que não?

— Porque agora você acha que tem o direito de me perguntar algo ou de opinar sobre minha vida. Deixo claro a partir de agora que você não tem. Eu te ajudei, mas isso é tudo. Da próxima vez procure seu irmãozinho afinal ele deve servir para te livrar de encrenca pelo menos. — Adalind franze fortemente o cenho após ouvir o que Max fala. Ela fica incrédula com toda a hostilidade que ele exala.

— Quem você pensa que é para falar qualquer coisa que seja do meu irmão? — Ela põe o dedo em seu peito e o empurra levemente. Ela parecia estar a dois passos de esmurrá-lo até a morte. — Will pode ser muitas coisas, mas ele nunca falhou comigo e ele é a pessoa mais importante da minha vida. Nunca mais abra sua boca para falar dele. — Ela respira fundo e balança a cabeça. — Tio Alec e Magnus são pessoas tão incríveis, amorosas e amigáveis. Eu costumo me pergunta se existe um casal na terra mais maravilhoso do que eles. Na minha vida inteira sempre levei o relacionamento deles e dos meus pais como exemplo. Eu realmente não consigo acreditar como eles podem ter criado alguém tão rude como você. — Adalind caminha um pouco mais rápido deixando Max para trás. O garoto permanece em silêncio, permitindo-se sentir cada uma das palavras de Adalind, como uma pequena punição. Ele não se sentia no direito de ter pessoas lhe amando ou se apegando a ele e acima de tudo ele deveria deixar Adalind Herondale o mais longe possível.

[...]

Adalind adentra o Instituto sentindo-se cansada e com dores por todo o corpo. Dormir no chão não foi uma das opções mais sábias e toda aquela preocupação havia deixado seu corpo tenso. Ela pensou em dormir novamente, mas decidiu que conversar com Will faria um bem maior para sua mente. Adalind bate algumas vezes na porta e ela se abre. Em vez de Will aparecer é George quem a recebe com uma cara surpresa.

— Adalind. Não esperava vê-la tão cedo. — Ela escuta um barulho dentro do quarto e Will aparece ao lado de George. Ele examina a irmã por completo com o olhar procurando algo de diferente nela.

— Aconteceu algo? Você parece cansada. — Will pergunta. Adalind sorri fraco ao ouvir aquele comentário. Seu irmão sempre parecia perceber facilmente o que ela sentia ou precisava antes mesmo que ela falasse.

— Preciso conversar. Posso entrar? — Will revira os olhos como se estivesse dizendo “Você precisa mesmo perguntar?” e abre espaço para Adalind passar. O quarto de Will estava uma bagunça. Os pertences de ambos os garotos estavam jogados pelo chão e as camas estavam igualmente reviradas.

— Vocês saíram ontem de madrugada? — Adalind pergunta. Will assente, sabendo que não havia necessidades de mentir para a irmã.

— Você me procurou ontem? — Ela faz que sim. Adalind então começa a falar sem parar, contando tudo que aconteceu na noite anterior e no inicio da manhã. Will e George escutam atentamente tudo que ela diz mantendo ambos uma bela feição de surpresa.

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